O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais frequentes. Na grande maioria das pessoas, a infecção não provoca sintomas nem lesões visíveis e, depois de algum tempo, o vírus deixa de ser detectado sem necessidade de qualquer tratamento.

Por isso, uma pessoa pode ter tido contato com HPV e nunca saber disso.

Existe algum exame para saber se tenho HPV?

Existem testes capazes de detectar diretamente o material genético do HPV. Atualmente são utilizados principalmente testes moleculares, como aqueles baseados em PCR, alguns dos quais conseguem também identificar determinados tipos do vírus por meio da genotipagem.

Entretanto, é importante entender para que queremos fazer o teste.

Não há indicação de pesquisar HPV simplesmente para descobrir se você adquiriu o vírus depois de uma determinada relação sexual, saber de quem o adquiriu ou verificar se um parceiro também está infectado.

A situação é diferente no rastreamento do câncer do colo do útero. Nesse contexto, pesquisar os tipos de HPV oncogênico é muito útil porque permite identificar as pessoas que apresentam maior probabilidade de ter ou desenvolver uma lesão precursora.

Pelas novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, o teste de DNA-HPV oncogênico passou a ser o método primário recomendado para o rastreamento a partir dos 25 anos.

Portanto, fazer um teste de HPV como parte do rastreamento é muito diferente de fazer um teste apenas para saber se você “tem HPV”.

Existe exame de sangue para HPV?

Não existe exame de sangue utilizado na prática clínica para diagnosticar uma infecção pelo HPV.

O vírus é pesquisado em material obtido das regiões onde ocorre a infecção, como o colo do útero ou a vagina. Para o rastreamento do câncer do colo do útero, esse material pode ser coletado por um profissional de saúde ou, em determinadas situações, pela própria pessoa por meio da autocoleta.

E o Papanicolaou detecta HPV?

Não diretamente.

O Papanicolaou examina as células e pode mostrar alterações provocadas pelo HPV, mas um resultado normal não significa que o vírus esteja ausente.

Uma pessoa pode ter HPV e apresentar Papanicolaou normal. Da mesma forma, o aspecto das células no Papanicolaou não permite saber exatamente qual tipo de HPV está presente.

A colposcopia serve para descobrir se tenho HPV?

Não.

A colposcopia não deve ser realizada simplesmente para procurar sinais de que uma pessoa teve contato com HPV.

Durante muitos anos, alterações muito discretas observadas após a aplicação de ácido acético foram interpretadas como manifestação “subclínica” da infecção. Entretanto, muitas dessas alterações são inespecíficas e podem ocorrer sem que exista uma doença relevante.

Atualmente, a colposcopia deve ser utilizada principalmente para investigar pessoas que, por seus resultados de rastreamento ou por outros achados clínicos, apresentam risco suficiente de ter uma lesão que precise ser diagnosticada.

E se eu tiver verrugas?

Os condilomas, ou verrugas anogenitais, são uma manifestação visível da infecção pelo HPV.

Podem surgir na vulva, vagina, pênis, região perianal ou anal e apresentar tamanhos e formatos variados. Algumas lembram pequenas verrugas semelhantes às encontradas em outras partes do corpo; outras são planas ou apresentam aspecto diferente.

Na maioria das vezes não provocam sintomas, mas algumas podem causar coceira, desconforto ou sangramento após traumatismo.

Nem toda pequena elevação, mancha ou irregularidade da região genital é causada pelo HPV. Existem variações da normalidade e outras doenças que podem ser confundidas com condilomas.

Por isso, se você perceber algo diferente na região genital ou anal, procure avaliação médica. Evite tentar fazer o diagnóstico ou utilizar medicamentos para verrugas por conta própria.