Sim, alguns testes de HPV conseguem identificar exatamente quais tipos do vírus estão presentes, se for utilizada a genotipagem estendida — mas nem sempre saber o tipo exato é necessário.

Existem mais de 200 tipos de HPV. Alguns estão associados principalmente às verrugas genitais e são considerados não oncogênicos. Outros estão relacionados ao desenvolvimento das lesões precursoras e do câncer do colo do útero e são chamados de HPV oncogênicos ou de "alto risco".

Prefiro a expressão “oncogênico” a “HPV de alto risco”, pois esta última pode dar a impressão de que toda pessoa que apresenta um desses tipos tem alto risco de desenvolver câncer. Isso não é verdade: a maioria das infecções por HPV oncogênico desaparece ou torna-se indetectável espontaneamente e nunca causa uma doença importante.

Todos os testes mostram o tipo de HPV?

Não.

A Captura Híbrida, por exemplo, detecta conjuntamente um grupo de HPV oncogênicos, mas não informa qual deles está presente e não tem sido mais recomendada.

Os testes moleculares recomendados atualmente no novo rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil são baseados em PCR e podem realizar genotipagem parcial ou estendida. Na genotipagem parcial, pelo menos os HPV 16 e 18 são identificados separadamente, enquanto os demais tipos oncogênicos podem aparecer agrupados. Na genotipagem estendida, um número maior de tipos pode ser identificado individualmente.

Essa diferença é importante porque os HPV 16 e 18 estão associados a um risco maior de lesões precursoras importantes e, nas novas Diretrizes Brasileiras, sua detecção é indicação de colposcopia. Quando são encontrados outros HPV oncogênicos, a decisão sobre a necessidade de colposcopia depende inicialmente do resultado da citologia reflexa.
Mas cuidado com o resultado de testes de genotipagem estendida que procuram detectar mais do que 14 tipos considerados oncogênicos: neste caso, os demais tipos devem ser desconsiderados, pois não estão relacionados pela IARC como ocongênicos ou potencialmente oncogênicos.

Vale a pena fazer um teste apenas para descobrir qual HPV tenho?

Na maioria das vezes, não.

Em pessoas que já apresentam verrugas genitais ou outra lesão claramente relacionada ao HPV, identificar o tipo viral geralmente não modifica o tratamento. Fazer o exame apenas por curiosidade pode acrescentar preocupação sem trazer benefício para a conduta.

A situação é diferente no rastreamento do câncer do colo do útero. Nesse contexto, conhecer se existe um HPV oncogênico — e especialmente se estão presentes os tipos 16 ou 18 — ajuda a estimar o risco e a decidir quais pessoas precisam de colposcopia e quais podem ser acompanhadas com novos exames.

Portanto, atualmente o teste de DNA-HPV tem sua principal utilidade no rastreamento e na definição da conduta após um resultado positivo, além de ser utilizado no acompanhamento de mulheres tratadas por determinadas lesões precursoras.

É importante lembrar: ter um HPV oncogênico detectado não significa ter câncer e nem mesmo necessariamente ter uma lesão precursora. O resultado deve ser interpretado juntamente com a idade, os exames anteriores e, quando indicados, a citologia e a colposcopia.