Os tratamentos das lesões precursoras do câncer do colo do útero são altamente eficazes, mas nenhuma técnica garante que a doença nunca mais será encontrada.

Em algumas mulheres pode permanecer uma pequena lesão residual após o tratamento e, em outras, uma nova lesão pode aparecer posteriormente. Por isso, quem já foi tratada por uma lesão de alto grau precisa de acompanhamento específico, diferente daquele realizado em pessoas que nunca tiveram essas lesões.

Qual é o melhor exame depois do tratamento?

Atualmente, o teste de DNA-HPV oncogênico é o exame mais importante para estimar o risco de persistência ou recorrência da doença.

Quando o HPV oncogênico deixa de ser detectado depois do tratamento, a probabilidade de existir uma lesão residual ou recorrente é muito pequena.

Por outro lado, continuar apresentando HPV oncogênico não significa necessariamente que ainda exista uma lesão. Significa que o risco é maior e que será necessário manter uma vigilância mais cuidadosa.

Quando deve ser feito o teste de HPV?

O teste não deve ser realizado imediatamente após o tratamento, pois o HPV pode permanecer detectável durante algum tempo mesmo quando a lesão foi completamente retirada.

O acompanhamento com DNA-HPV é iniciado seis meses depois do procedimento e repetido nos intervalos recomendados. Uma sequência de resultados negativos permite aumentar progressivamente o intervalo entre os exames.

Quando o HPV oncogênico permanece detectável, outros exames, como citologia e colposcopia, podem ser necessários para verificar se existe alguma lesão residual ou recorrente.

E se as margens da peça estiverem comprometidas?

Depois de uma excisão, o patologista examina as margens do tecido retirado para verificar se a lesão chega até a extremidade do espécime.

Uma margem comprometida aumenta a probabilidade de persistência da doença, mas não significa que necessariamente tenha restado uma lesão no colo do útero. Na maioria das situações, portanto, uma margem comprometida não determina automaticamente uma nova cirurgia.

A decisão entre acompanhamento e nova excisão depende de vários fatores, entre eles o tipo e a gravidade da lesão, qual margem está comprometida, idade, desejo de futuras gestações, características do procedimento realizado e possibilidade de acompanhamento adequado.

O resultado do teste de HPV durante o seguimento fornece uma informação adicional muito importante sobre o risco de persistência ou recorrência.

Depois de alguns exames negativos posso voltar ao rastreamento habitual?

Mesmo depois de exames negativos, quem já foi tratada por uma HSIL (NIC 2 ou NIC 3) apresenta durante muitos anos risco maior do que uma pessoa que nunca teve uma lesão de alto grau.

Por isso, essas pessoas necessitam de vigilância prolongada e não devem simplesmente interromper os exames na idade habitual de encerramento do rastreamento.

O intervalo e a duração desse acompanhamento dependem da lesão tratada, dos resultados obtidos durante o seguimento e das recomendações vigentes.

E o adenocarcinoma in situ (AIS)?

O adenocarcinoma in situ (AIS) também é uma lesão precursora do câncer do colo do útero, mas apresenta algumas particularidades por ter diagnóstico mais difícil e possibilidade de lesões multifocais.

Seu tratamento e acompanhamento podem ser diferentes daqueles utilizados para as lesões escamosas de alto grau. Por isso, mulheres tratadas por AIS devem seguir um protocolo específico de acompanhamento, definido de acordo com o tratamento realizado e seus resultados.

Por quanto tempo preciso continuar o acompanhamento?

Por pelo menos 25 anos.

Ter tratado adequadamente uma lesão precursora reduz muito o risco de câncer, mas não faz com que esse risco imediatamente volte a ser igual ao de quem nunca teve uma lesão de alto grau.

Por isso, não abandone o acompanhamento apenas porque os primeiros exames depois do tratamento foram normais.

O objetivo do seguimento não é procurar repetidamente uma doença que provavelmente voltou, mas identificar o pequeno grupo de mulheres em que persiste risco suficiente para justificar investigação ou novo tratamento.