O exame preventivo, também conhecido como Papanicolaou, exame citopatológico, citologia oncótica, colpocitologia ou simplesmente “exame de lâmina”, examina as células retiradas do colo do útero procurando alterações que possam indicar a presença de lesões precursoras ou, mais raramente, de um câncer.


Durante muitos anos, esse foi o principal exame utilizado para o rastreamento do câncer do colo do útero. Atualmente, pelas novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, o teste de DNA-HPV oncogênico passou a ser o método primário recomendado para o rastreamento, e a citologia passou a ser utilizada principalmente como exame complementar em determinadas situações e após um teste de HPV positivo mostrando tipos diferentes do 16 e do 18.

Entretanto, o Papanicolaou continuará sendo realizado durante a transição para o novo modelo de rastreamento e permanece muito importante na avaliação de pessoas com HPV oncogênico. Por isso, vale a pena entender o que significam seus resultados.

Lesão escamosa intraepitelial de alto grau — HSIL

HSIL vem do inglês High-grade Squamous Intraepithelial Lesion.

Esse resultado significa que foram encontradas células com alterações que sugerem a possibilidade de existir uma lesão precursora do câncer do colo do útero. Não significa que a pessoa tenha câncer.

Diante de uma HSIL na citologia, é necessária investigação, geralmente por meio da colposcopia, para localizar a possível lesão, permitir seu diagnóstico e planejar o tratamento.

Se for realizada uma biópsia, o patologista poderá então diagnosticar uma neoplasia intraepitelial cervical (NIC). NIC 2 e NIC 3 estão frequentemente associadas a uma citologia HSIL.

É importante distinguir as duas coisas: HSIL é um resultado da citologia; NIC 2 e NIC 3 são diagnósticos feitos no tecido retirado por biópsia ou tratamento excisional.

Lesão escamosa intraepitelial de baixo grau — LSIL

LSIL vem do inglês Low-grade Squamous Intraepithelial Lesion.

Nesse caso, as alterações celulares estão geralmente relacionadas ao efeito da infecção pelo HPV e apresentam menor probabilidade de estar associadas a uma lesão precursora.

Muitas dessas alterações desaparecem espontaneamente. Por isso, um resultado de LSIL não significa que seja preciso realizar uma colposcopia imediatamente. A conduta dependerá da idade, dos exames anteriores e, atualmente, das informações fornecidas pelo teste de HPV quando realizado.

Na histologia, alterações de baixo grau podem corresponder a NIC 1, mas novamente não são exatamente a mesma coisa: LSIL é uma classificação citológica e NIC 1 é um diagnóstico histológico.

Células escamosas atípicas — ASC

Algumas vezes o citopatologista observa alterações nas células, mas elas não são suficientes para classificá-las como uma lesão intraepitelial. Nesses casos pode utilizar a denominação ASC, do inglês Atypical Squamous Cells.

Existem duas categorias principais:

ASC-US — células escamosas atípicas de significado indeterminado.
São alterações discretas que podem estar relacionadas ao HPV, a processos inflamatórios, regenerativos ou a outras condições benignas. A probabilidade de existir uma lesão importante é relativamente baixa.

ASC-H — células escamosas atípicas, não sendo possível excluir uma lesão de alto grau.
Nesse caso, as alterações observadas levantam maior preocupação com a possibilidade de HSIL, e a investigação por colposcopia está indicada.

Células glandulares atípicas — AGC

AGC vem do inglês Atypical Glandular Cells e significa que foram encontradas alterações nas células glandulares.

Essas alterações podem ter origem no colo do útero ou no endométrio e apresentam diferentes significados. Podem ser classificadas, entre outras formas, como sem outra especificação (SOE) ou favorecendo neoplasia.

Como algumas dessas alterações podem estar associadas a lesões precursoras ou malignas do colo do útero ou do endométrio, AGC necessita de investigação específica, que inclui colposcopia e, dependendo da idade e de outros fatores, avaliação do endométrio.

E o adenocarcinoma in situ — AIS?

O adenocarcinoma in situ (AIS) é uma lesão precursora do adenocarcinoma do colo do útero.

Apesar de conter a palavra “carcinoma”, não é um câncer invasor. Entretanto, é uma alteração importante que necessita de investigação e tratamento adequados.

Esses resultados significam que tenho HPV?

Muitas dessas alterações, principalmente LSIL e HSIL, estão fortemente relacionadas à infecção pelo HPV, mesmo quando o vírus não é mencionado no laudo.

Isso não significa, porém, que seja possível determinar pelo aspecto das células qual tipo de HPV está presente. Para isso são utilizados testes específicos de HPV.

O resultado do Papanicolaou é o diagnóstico definitivo?

Não.

A citologia indica a possibilidade de existir uma determinada alteração. Quando o resultado mostra risco suficiente de uma lesão importante, a pessoa é encaminhada para colposcopia.

Se uma área suspeita for identificada, pode ser realizada uma biópsia. É o exame histopatológico desse tecido que permite estabelecer com maior segurança o diagnóstico de uma lesão precursora e sua gravidade.

Em algumas situações, o diagnóstico definitivo é feito somente depois da retirada da lesão por um procedimento excisional, como a excisão da zona de transformação ou conização do colo do útero.

E os resultados que falam em inflamação, cervicite ou metaplasia?

A maioria das alterações descritas em um Papanicolaou não significa lesão precursora ou câncer.

Termos como “inflamatório”, “cervicite” ou alterações relacionadas a determinadas infecções podem aparecer no laudo e devem ser interpretados juntamente com os sintomas e o exame ginecológico.

Outro termo que costuma assustar é “metaplasia escamosa”. Apesar da semelhança da palavra com “neoplasia”, são coisas completamente diferentes. A metaplasia escamosa é um processo habitual que ocorre no colo do útero.

Existem muitos nomes porque a nomenclatura utilizada para descrever as alterações do colo do útero mudou ao longo das décadas. Termos antigos ainda podem aparecer em laudos ou ser utilizados por médicos e pacientes.

A antiga classificação do Papanicolaou em classes I, II, III, IV e V praticamente não é mais utilizada e não deve ser convertida diretamente para as categorias atuais.