Não necessariamente.


A NIC 2 (neoplasia intraepitelial cervical grau 2) é uma lesão precursora do câncer do colo do útero, classificada atualmente como uma lesão escamosa intraepitelial de alto grau na histologia — HSIL (NIC 2).

Entretanto, a NIC 2 tem um comportamento diferente da NIC 3. Uma proporção importante das NIC 2, especialmente em mulheres jovens, regride espontaneamente sem tratamento.

Isso é importante porque o tratamento geralmente envolve a retirada de uma parte do colo do útero. Embora seja um procedimento seguro, tratamentos excisionais podem aumentar o risco de algumas complicações em futuras gestações, principalmente quando são realizadas excisões maiores ou repetidas.

Por isso, em mulheres cuidadosamente selecionadas, acompanhar uma NIC 2 sem tratamento imediato pode ser uma opção.

Quem pode ser acompanhada sem tratamento?

A decisão não deve depender apenas da idade.

Antes de optar pelo acompanhamento, é importante ter segurança de que se trata realmente de uma NIC 2 e que não existem sinais que sugiram NIC 3, adenocarcinoma in situ ou câncer.

Também é fundamental que a lesão possa ser adequadamente avaliada, que a junção escamocolunar esteja completamente visível e que a mulher tenha condições de comparecer regularmente às consultas de acompanhamento.

A idade, o desejo de futuras gestações, o resultado da citologia que levou à colposcopia, o tipo de HPV presente, os achados colposcópicos, a extensão da lesão e, principalmente, a possibilidade de realizar um seguimento rigoroso devem ser considerados em conjunto.

A decisão deve ser compartilhada entre a mulher e seu médico, ponderando os benefícios e riscos do tratamento imediato e da vigilância.

Como é feito esse acompanhamento?

A vigilância de uma NIC 2 exige acompanhamento rigoroso, geralmente com avaliações em intervalos de aproximadamente seis meses e utilização combinada das informações fornecidas pela colposcopia e pelos exames de rastreamento e seguimento.

Se durante esse período surgirem evidências de uma lesão mais importante, especialmente NIC 3, o tratamento passa a ser indicado.

A persistência da NIC 2 durante um período prolongado de acompanhamento também pode indicar tratamento. Portanto, optar pela vigilância não significa simplesmente deixar a lesão sem tratamento e esquecer o problema.

E o p16?

O p16 é um biomarcador utilizado pelo patologista em situações específicas para auxiliar na interpretação de alterações encontradas na biópsia.

Ele pode ser particularmente útil quando o aspecto observado ao microscópio é duvidoso. Um resultado positivo, entretanto, não deve ser utilizado isoladamente para decidir que uma mulher com NIC 2 precisa ser tratada.

A decisão entre tratamento e acompanhamento depende do conjunto das informações clínicas, citológicas, virológicas, colposcópicas e histológicas.

É seguro não tratar imediatamente?

Em mulheres adequadamente selecionadas e submetidas a acompanhamento rigoroso, a vigilância por até dois anos é considerada uma alternativa segura ao tratamento imediato da NIC 2.

Entretanto, estudos de acompanhamento prolongado sugerem que mulheres com história de NIC 2 acompanhada inicialmente sem tratamento podem apresentar maior risco de câncer do colo do útero muitos anos depois, particularmente as mulheres com 30 anos ou mais.

Isso não significa que a vigilância seja insegura durante o período em que está sendo realizada. Reforça, porém, que a decisão deve ser individualizada e que essas mulheres não devem abandonar o acompanhamento mesmo depois da regressão da lesão.

Na Cervical procuramos avaliar cada caso individualmente e discutir com a própria mulher e seu médico assistente a decisão entre tratar imediatamente ou acompanhar cuidadosamente a NIC 2.

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