De fato, o HPV pode causar lesões em outras regiões além do colo do útero.
A vagina deve ser examinada durante a colposcopia e a vulva (parte externa da vagina) e ânus também devem ser examinados durante a colposcopia, mas também podem ser examinados pelo ginecologista durante o exame rotineiro.
Já no canal anal, assim como na vagina (parte interna) e colo do útero, as lesões em geral são assintomáticas e também podem evoluir para câncer.
Mas a frequência do câncer anal é cerca de 14 vezes menor do que o do colo, ou seja, é uma doença considerada rara na população geral.
Recentemente foram publicadas recomendações baseadas em evidências limitadas destacando alguns grupos de risco alto e intermediário em que o rastreamento da doença anal pode ser benéfico.
Parece estranho questionar se o rastreamento é benéfico, mas, em geral, ele só é benéfico se é capaz de detectar uma lesão precursora e se o tratamento é eficaz. No caso das lesões anais, o rastreamento é bastante simples (como a coleta de um preventivo), mas, quando positivo, indica a necessidade de uma anuscopia de alta resolução (AAR), que é a colposcopia do canal anal. Este exame não estádisponível no SUS e poucos proctologistas estão capacitados a realizá-lo.
Frente a esta dificuldade, pessoas de risco intermediário devem considerar o rastreamento anal apenas se disponível a AAR e se estiverem dispostos a seguir na investigação após um exame positivo.
E quais seriam esses grupos?
São considerados de alto risco (quando a frequência de câncer anal é mais de 10 vezes maior do que a população em geral) pessoas vivendo com HIV, homens que fazem sexo com homens e mulheres trans, pessoas com história de câncer ou lesão precursora da vulva e transplantados de órgãos sólidos.
Estão no grupo de risco intermediário (quando a frequência de câncer anal é maior do que a população em geral, mas menor do que 10 vezes maior): pessoas com história de lesão de alto grau ou câncer do colo ou vagina, com verrugas perianais, persistência cervical do HPV16 ou algumas doenças autoimunes em tratamento sistêmico. Neste grupo, a recomendação é iniciar o rastreamento aos 45 anos.
Converse com seu médico e decidam se vale a pena rastrear o câncer anal no seu caso especíco!
International Anal Neoplasia Society's consensus guidelines for anal cancer screening - PubMed
Antes dos 25 anos, não é recomendado realizar rastreamento nem com teste de HPV nem com Papanicolaou. Nessa faixa etária, as infecções pelo HPV são muito frequentes e, na grande maioria das vezes, desaparecem espontaneamente. O rastreamento precoce poderia levar à investigação e ao tratamento de alterações que provavelmente regrediriam sem qualquer intervenção, ocasionando mais danos do que benefícios.
O rastreamento pode ser encerrado quando houver um teste de DNA-HPV negativo realizado após os 60 anos, desde que não existam condições especiais que indiquem acompanhamento prolongado. Mulheres que já trataram lesões precursoras importantes, por exemplo, podem necessitar de seguimento por mais tempo.
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/r/rastreamento-cancer-do-colo-do-utero/view
Não.
Na autocoleta é obtido material vaginal para pesquisar HPV. Não são retiradas adequadamente células do colo do útero para realização do Papanicolaou.
Essa diferença é importante porque, se o teste realizado na autocoleta detectar HPV oncogênico diferente de 16 ou 18, será necessário comparecer ao serviço de saúde para uma coleta realizada por profissional.
Por isso, a autocoleta não substitui o acompanhamento pelo serviço de saúde quando o resultado é positivo. Seu principal objetivo é facilitar o acesso a um rastreamento do câncer do colo do útero seguro e eficaz.