Sim. Uma das novidades das novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero é a possibilidade de utilizar a autocoleta para realização do teste de HPV em determinadas situações.

Na autocoleta, a própria pessoa introduz na vagina um dispositivo apropriado, semelhante a um cotonete ou pequena escova, e coleta uma amostra que será encaminhada ao laboratório para pesquisa do DNA dos HPV oncogênicos.

O procedimento é simples, não necessita de espéculo e pode ser realizado em ambiente reservado.

É a mesma coisa que fazer o Papanicolaou sozinha?

Não.

Na autocoleta é obtido material vaginal para pesquisar HPV. Não são retiradas adequadamente células do colo do útero para realização do Papanicolaou.

Essa diferença é importante porque, se o teste realizado na autocoleta detectar HPV oncogênico diferente de 16 ou 18, será necessário comparecer ao serviço de saúde para uma coleta realizada por profissional.
Por isso, a autocoleta não substitui o acompanhamento pelo serviço de saúde quando o resultado é positivo. Seu principal objetivo é facilitar o acesso a um rastreamento do câncer do colo do útero seguro e eficaz.

A autocoleta é tão boa quanto a coleta feita pelo profissional?

Quando são utilizados testes de HPV adequadamente validados para amostras obtidas por autocoleta, seu desempenho é muito bom e semelhnate aos coletados por profissional de saúde.

Por isso, a autocoleta passou a ser uma estratégia importante para ampliar o acesso ao rastreamento, principalmente entre pessoas que não conseguem ou não desejam realizar a coleta convencional.

Para quem a autocoleta é especialmente útil?

As Diretrizes Brasileiras recomendam a autocoleta principalmente como estratégia para alcançar pessoas que não participam regularmente do rastreamento ou que apresentam dificuldades para realizar a coleta por um profissional de saúde.

Isso pode ocorrer por diferentes motivos: dificuldade de acesso aos serviços de saúde, distância, constrangimento, experiências anteriores desagradáveis, limitações físicas ou outras barreiras pessoais, sociais ou culturais.

A autocoleta também pode facilitar o rastreamento de homens trans e outras pessoas com colo do útero que tenham dificuldade ou desconforto em se submeter ao exame ginecológico.

Se o resultado for negativo, preciso fazer um Papanicolaou?

Não.

Um teste de DNA-HPV oncogênico negativo realizado com método validado indica risco muito baixo de haver ou de desenvolver uma lesão precursora importante nos próximos anos.

Para pessoas de risco habitual, o rastreamento será repetido a cada cinco anos, sem necessidade de realizar Papanicolaou apenas para confirmar o resultado negativo.

E se o teste de HPV for positivo?

Um resultado positivo não significa que exista uma lesão precursora ou câncer. Significa apenas que foi detectado um HPV oncogênico e que será necessário definir o próximo passo.

Posso comprar qualquer teste de HPV e fazer em casa?

Atualmente não.

Para ser utilizado no rastreamento, tanto o teste quanto o dispositivo de coleta precisam ser adequados e validados para amostras obtidas pela própria pessoa. Ele deve ser oferecido pelo serviço de saúde, o que assegurará que o dispositivo é adequado para este exame.